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[Domingo, Janeiro 22, 2012]
♪ Alanis Morissette - Tapes ♫
[INCONSTANTE... como tudo nessa vida...]
(...)
Pra me recompor é preciso muita força. É preciso fingir que as paredes estão limpas e que o caminho está livre. É preciso contrabandear meus próprios sonhos. Sim, porque às vezes eu os pego, assim, sorrateiramente. E fujo, mas não daqui exatamente. Fujo do habitual um pouco, mas sem sair daqui, entende. Não é algo prazeroso, é cortante. É como uma droga que a gente toma pra fugir da própria vida quando não se tem pra onde ir. Quando acordo, é preciso tocar na minha própria sombra e sentir: estou viva. E como viver é um caminho árduo, talvez eu volte a fugir daqui.
Eu gostaria de viver a madrugada silenciosa. Mas me envolvo tanto com preocupações que só me deixam ver a manhã, após fingir que dormi. Até esqueço como é se misturar com as estrelas e o silêncio incessante que ocupa as ruas da madrugada. Porque se eu não fosse gente, eu seria uma dessas coisas que andam sorrateiramente pela noite, observando as vidas em cada objeto ou em cada som que aparece.
Acho que vou ali me afundar nas ilusões, não dessas que se sonha, mas dessas que se inventa. Dessas histórias que evoluem com começo, meio e fim. Não em vida real, mas teoricamente. É um elevador que te leva pra cima e pra baixo. Isso mesmo. Tanto te alegra, quanto te deprime. Eu me ultrapasso e vou além mais do que posso ser ou de onde posso estar. Mas entenda, tudo isso é teoricamente. Porque na realidade, sou totalmente obscura de mim mesma. Eu sou implícita, me perco demais. Nem eu às vezes consigo me perceber. É preciso me beliscar fortemente para ter certeza que ainda posso estar viva. Só tenho a liberdade de escrever e de imaginar. De resto, mal consigo respirar. Pois o resto não me deixa ser. A princípio eu explicaria todo esse negócio de ser, mas já é tarde. Além do mais, se você tem alma, você vai entender. Se não tem, bem, esse não é lugar pra você. É um sentido que não faz sentido.
Talvez eu não devesse arcar com todo esse peso. Não quero experiências pela metade, dessas que a gente chega até o meio e desiste, ou não consegue dar o passo adiante. Embora eu esteja atravessada por uma série de palavras que de alguma forma estão presas entre as linhas do meu pensamento e da minha garganta, algo me faz querer ter um segredo. Bem, segredos eu tenho muitos. Mas só tenho segredos de pensamentos, não tenho segredos de encontros de alma. Gostaria de suspirar e dizer „este segredo é só meu e ele é real‟.
(...)
...!
"Nem que eu lute contra mim todos os dias. As coisas vão mudar!"
Caio Fernando Abreu
Meu livro:
Inconstante
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Escrito por Su às 1:17 PM
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[Quinta-feira, Janeiro 19, 2012]
♪ Aerosmith - Dream On ♫
[INCONSTANTE... como tudo nessa vida...]
(...)
Quando encontrei todos aqueles sonhos eu devia tê-los pego pra mim. Os que construí se recusam a ser meus. Às vezes só seguir é tão difícil. Implica esperar. Implica paciência. Implica ter uma capacidade enorme para perdoar, seja quem for, a vida, a si, o mundo. Mas acontece que, nunca me obedeci e fiquei constantemente a mercê do que fizessem de mim. Minha busca é poder respirar livremente.
Estou tentando captar o que pode me ser dito ou sentido agora. Não tenho tão claramente essas certezas que falam pra gente ter. Eu tenho muita confusão, muitas vozes, muitos ventos, muitas tormentas. Isso nunca foi falta de concentração, eu até me esforço pra captar os avisos. Mas às vezes fica tudo tão embaralhado que raramente consigo ter certeza de algo. E fico na mesma, confusa, sozinha. Esqueceram de me dar uma coisa que eu devia ter. Esqueceram de me dar um tal de „destemido‟. Eu não o conheço pessoalmente, dele só ouvi falar. Mas sei que se eu o tivesse, eu escutaria bem melhor.
Acho que nunca contei como escuto música. É um momento só meu. Nunca me ocorreu dividi-lo com alguém. Ou nunca me ocorreu alguém para dividi-lo. Subtraio de mim cada essência de cada som produzido. Meu olhar se perde na noite lá fora. Cada som produz um sentimento, uma vibração enroscada de ilusão e realidade. É mágico.
Eu queria me aproximar da lógica. E simplesmente fazer algo por ser lógico. Eu até penso no que realmente faz sentido, no que realmente precisaria ser feito, seria tudo lógico. Mas só pensar não me basta. Não consigo fazer tudo corretamente, nem do jeito que acho que gostaria de fazer. E isso é tão primitivo, até pra mim, que tenho o pensamento milhões de passos longe daqui.
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...!
"Tá sendo dificil demais conviver. Tenho aprendido coisas nesse tempo. Às vezes tenho até medo de estar ficando meio duro demais. Sei lá."
Caio Fernando Abreu
Meu livro:
Inconstante
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Escrito por Su às 8:56 PM
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[Quarta-feira, Janeiro 18, 2012]
♪ Adele - Don't You Remember ♫
[INCONSTANTE... como tudo nessa vida...]
(...)
Está escuro aqui dentro. Lá fora também. Só se ouve o barulho dos grilos. Por fora adormeço como a noite. Por dentro me esvazio e me espremo em lágrimas. Não, isso não me alivia. Só torna tudo mais pesado. Extravaso-me em frases que saem pelos olhos. Desconheço-me nas palavras e só me reconheço pela alma.
Estou cansada. E é por isso que não quero olhar alto. Sinto-me sugada ao fingir o que não vivo. É estranho sempre perceber que eu nasci aqui. Eu senti, então eu nasci, então eu errei. Sentir me fere.
Cansei de ter fé. Talvez a vida aconteça quando se pára de acreditar nela. Talvez, quando você desiste, ela venha e te dê um solavanco, querendo dizer: acredite em mim!
Tenho uma dúvida: se me canso porque realmente não tenho mais forças ou se porque quero desistir.
É tarde, sim. Estou falando do tempo e do sentimento. Literalmente e não literalmente. E esta tarde é vivida em segredo, a dor que me consome é uma dor que me consome sozinha. Não é de bom grado compartilhar com quem não sabe enxergar a alma. Nem sei se quer se comecei. Nem sei se quer se retrocedi. Inventar uma verdade não faz dela algo certo pra mim, nem para o mundo. Inventar uma verdade é eximir-se de que você não tem posto nada nos encontros da vida, que você não está no mundo e sim em seu próprio mundo, e ainda estando em seu próprio mundo, não sabe enxergar o que faz com ele próprio, consigo mesmo e com quem está fora.
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...!
”E esse vazio que ninguém dá jeito?
Você guarda no bolso, olha o céu, suspira, vai a um cinema, essas coisas.
E tudo, e tudo, e tudo.”
Caio Fernando Abreu
Meu livro:
Inconstante
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Escrito por Su às 8:51 PM
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[Sexta-feira, Janeiro 13, 2012]
♪ Adele - Someone Like You ♫
[Quando as coisas acabam... pra sempre e ponto final!]
Eu te desejei tanto, te quis tanto, te doei tanto de mim. Te dei meu amor, te dei meus sonhos, te dei tudo que havia de melhor e mais bonito em mim. Eu te entreguei minha vida, minha felicidade, meu futuro.
A gente se doa, mas esquece de perceber que nem sempre o outro está disposto a fazer o mesmo. Talvez esse seja o nosso erro.
Aos poucos toda a beleza foi roubada, quebrada.
E hoje, só sobrou um gosto amargo e uma dor profunda.
...!
“No início você briga, chora, faz drama mexicano. Então percebe que é cansativo demais manter esse jeito de levar as coisas... Acostuma-se...”
Caio Fernando Abreu
Meu livro:
Inconstante
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Escrito por Su às 11:24 AM
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[Quarta-feira, Janeiro 11, 2012]
♪ Metallica - Sad But True ♫
[INCONSTANTE... como tudo nessa vida...]
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Eu vou largar tudo, tudo mesmo. Só me diz, me diz agora pra onde eu vou. Aqui a noite não se move, nem se entrega a agitação de uma vida livre. Aqui não há espaço, não há vento. Se você puder falar, me fala. Mas tem que ser agora. Quero ir e não quero voltar. Não me deixe aqui esperando...
Tive que aprender a sentir. Tive que aprender sobre muitas coisas. Mas tudo seria menos solitário se o sentir fosse espontâneo. Se surgisse como algo que mal se consegue ver ou perceber como chegou. Eu aprendi a sentir certas coisas, mas não foi um bom aprendizado. Não sei o que é frio no estômago, nem dessas sensações que te pegam de surpresa. Não, eu não tenho surpresa nos meus sentimentos. Isso não me conforta, me desampara. É por demais solitário nunca ter experimentado o sabor das súbitas explosões de arrepio percorrem o seu corpo, nem nunca ter sonhado ou plantado um sorriso de leveza no rosto. Pior é não conseguir arrancar o que me obriguei a aprender. E assim, não sobra espaço pra uma paixão ou uma ternura espontânea.
Nenhum tópico aqui tem ligação um com o outro. Cada dia é uma dor nova ou uma dor que se renova e dói como nova ou uma faca que se afunda e se retorce mais ainda. Está tudo embaralhado mesmo. O teto cai, as paredes se comprimem e tudo fica como pedaços e pó. Em meio a essa bagunça, ninguém te reconhece. Ninguém sabe realmente sobre você. Enquanto todos te apontam por um gesto que não é seu, a solidão e seu Eu se corroem dentro de si e se entrelaçam cada vez mais, até um dia, quem sabe, a coragem não seja só de morrer em vida, mas de morrer da vida.
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...!
“Se a sua vida estiver muito amarga,
dê uma rebolada bem de leve.
Às vezes o açúcar deve estar lá no fundo.”
Caio Fernando Abreu
Meu livro:
Inconstante
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Escrito por Su às 9:37 PM
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[Segunda-feira, Janeiro 09, 2012]
Mentiras e mentiras, me destruíram.
Amargura, foi tudo o que restou de mim hoje... ;(
Às vezes tenho medo que a minha sanidade não me perdoe.
Ps.: "eu sou o amargo da vida"... eu vou 'embora' logo, eu sinto.
Escrito por Su às 10:55 PM
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[Quarta-feira, Janeiro 04, 2012]
♪ Silêncio ♫
[INCONSTANTE... como tudo nessa vida...]
(...)
Esta noite faz um silêncio tão desnecessário. Nem o vento, nem as vozes, nem a chuva, nada, só o silêncio. Um silêncio que inquieta, que formiga, exaspera, apavora. Tem sido noites complicadas.
Esperar um dia, talvez, quem sabe. Um coração, tornado frio, amargurado, encontre paz bem longe dessa aspereza, dessa mágoa, dessa tristeza. Tu me tornaste assim, e eu não sei mais me encontrar. Procurei nas imagens, nas memórias, nas palavras. Só sobrou isso de mim. E talvez exista um “talvez”, de um olhar, um toque, que tranqüilize e traga a doçura e o amor que eu sabia sentir, meu jeito doce de saber ser. Eu não sei mais.
Vou deixar pra lá, apesar da minha dor me sufocar todas as noites. Deus sabe quem eu sou. E talvez ele até tenha algo bom pra mim.
As pessoas esperam algo de nós e exigem que as perdoemos. Mas quando precisamos do mesmo, elas se recusam a nos dar. E nos condenam eternamente. Eu bem sei, todos esses anos, o esforço que me fiz, os sonhos que abandonei, as vidas que deixei passar. Eu bem sei, a dor que me causou, a amargura que me trouxe, o gelo que me tornei, o medo que se juntou a mim, todo a minha guerra pra não me deixar sufocar. Eu bem sei, mas talvez não quisesse saber. Te exigem compreensão, perdão, abdicação, te exigem tudo. E quando você precisa, você não tem, simplesmente não tem.
Destino, cá entre nós, acho que você precisa de um conserto. Onde posso comprar peças novas? Consertar, encaixar, pôr nos eixos, você sabe, andar bem, tudo conforme a trilha da Vida, com uma boa música para acompanhar, essas coisas.
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"Como dizer adeus pra alguém que você nunca imaginou sem? Eu não disse adeus. Não disse nada. Apenas fui embora." Caio Fernando Abreu
Meu livro:
Inconstante
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Escrito por Su às 12:30 AM
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[Sábado, Dezembro 31, 2011]
♪ Lana Del Rey - Kill Kill ♫
[INCONSTANTE... como tudo nessa vida...e assim eu vou...]
(...)
Eu coleciono uma corda enorme cheia de nós e entrenós, desses que se alojam na garganta e causam um reboliço por todo o corpo. Mas, me diz ai, você que inventou as cordas e os nós, você também inventou algum tipo de “desata nós”? Não encontro um manual, uma forma, um jeito, seja o que for. Nem cortando funciona. Já procurei e tentei. Meus dedos doem e se enchem de calos. Não, não quero saber de tudo isso que aprendi, de todo esse assunto que eu tenho que descobrir. Você que está ai do outro lado, fique quieto. Hoje eu não quero saber de nada que seja eu que tenha que ir buscar. Quando eu tento e penso, eu estrago tudo, minha corda se torna mais forte, resistente, se faz mais um nó. E mais uma vez, olha só, é o mesmo lugar, não é? Sim, é.
Às vezes me sinto uma estrela. Não daquelas que brilham lá no céu. Mas daquelas que caem espatifadas e se espalham em pedaços por rios castanhos, cheios de folhas mortas. E simplesmente não há o que fazer, é continuar em cacos, com pedaços faltando, pedaços que talvez nunca encontre.
Fico em extremos. Nunca consigo ser um equilíbrio por inteiro. Tantas vezes minto pra mim mesma. Nunca fui livre. Persigo a mim, me contando mentiras e enganos, dessas que iludem e anestesiam temporariamente a alma. É um erro e uma perca de tempo, eu sei. Quando a fantasia se dissolve, viro cena de um teatro. Não a cena do palco, mas da última cadeira onde mal bate a luz. Talvez seja para ficar próxima a porta, e sair correndo quando o escuro e o solitário não me couberem mais.
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...!
"Às vezes sinto falta de mim / Eu também, menina / Sente falta de si? Não, de você. E dói / (Silêncio) / Me abraça? / Sempre".
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Escrito por Su às 12:15 AM
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